A TAP ME vista pelos portugueses não é a TAP ME dos brasileiros

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Nosso trabalho é que paga nosso salário na TAP ME Brasil

O portal de notícias português sicnoticias.sapo.pt publicou um vídeo com uma reportagem especial sobre os prejuízos da TAP ME Brasil e a repercussão disso junto ao grupo TAP e aos trabalhadores portugueses.

reportagem copy

(Reprodução TV Portuguesa)

A matéria foi exibida em horário nobre na TV portuguesa. Entrevistado, o presidente da TAP, Fernando Pinto, disse que a situação financeira deficitária da TAP ME Brasil só poderá ser superada a longo prazo e ressaltou que o Brasil rende 700 milhões de euros por ano à TAP. O que não foi dito é que a TAP Portugal adquiriu a maior empresa de manutenção da América Latina.

A reportagem ouve também um sindicalista português, que reclama dos salários congelados e da perda de benefícios, relacionando esse cenário ruim aos prejuízos da subsidiária brasileira. Logo após é entrevistado o diretor afastado do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre (que não está autorizado a falar em nome da entidade), cuja fala “corrobora” com o depoimento do sindicalista português. O sindicalista afastado, diz: “nós temos reconhecimento que hoje nós existimos graças ao povo português que paga os impostos e nos mantém”. ESTA DECLARAÇÃO COLOCA EM RISCO OS NOSSOS POSTOS DE TRABALHO NA TAP-ME BRASIL.

Se o diretor afastado não sabe, a relação capital e trabalho é um contrato, onde o trabalhador vende sua mão-de-obra e é remunerado por isso. Portanto, os trabalhadores sempre cumpriram com a sua parte do contrato na TAP ME Brasil.

O Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre entende que a fala do diretor afastado está descontextualizada e não representa a opinião da direção da entidade e dos trabalhadores em relação à empresa.

Para o Sindicato, é preciso deixar muito claro que a situação financeira da TAP ME é fruto, principalmente, de três fatores: a crise da Varig que prejudicou o mercado e os trabalhadores, a crise econômica que vem desacelerando a economia em todo o mundo, a má gestão da VEM/TAP ME.

Nenhum desses fatores está relacionado ao pagamento de salários de trabalhadores, pelo contrário, já que quase metade dos funcionários foi demitida desde a compra da VEM pela TAP e a empresa vem sendo sucateada, faz poucos investimentos, perde mão-de-obra qualificada.

A má gestão é questionada pelo Sindicato há anos, em reuniões, no Aerofolha, nos cafés no pátio com a categoria. Além disso, todos os problemas de gestão no Brasil foram denunciados pelo Sindicato a parlamentares portugueses e à direção do grupo TAP, mas nenhuma atitude foi tomada até hoje.

Os trabalhadores da TAP ME na sede de Porto Alegre e o Sindicato não querem que a empresa deixe de existir, ou reduza mais postos de trabalho, e vêm buscando alternativas, ao longo de todos esses anos, para que a empresa retome resultados positivos.

Os trabalhadores brasileiros não são sustentados pelo povo português, mas pelo seu trabalho, pois a TAP ME Brasil tem clientes e tem faturamento.

“A tendenciosidade da matéria demonstra uma intenção econômica ou política, num momento em que a TAP está em processo de privatização a pleno vapor em Portugal. As empresas interessadas na privatização têm até o dia 15 de junho, pouco mais de um mês, para apresentar propostas. Estamos no ápice dessas negociações e nada é gratuito”, comenta a direção do Sindicato.

O governo português diz que, se não conseguir privatizar a TAP, a saída pode ser a redução da empresa.

O vídeo, com pouco mais de 30 min, pode ser acessado no link: http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemsic/2015-04-30-Os-negocios-que-terao-arruinado-a-TAP.

 

ACIDENTE NA TAP ME – A empresa disse, em reunião no dia 7, que irá estender o horário de funcionamento do SESMT para o turno da noite e está contratando assistente social na base de POA e no Rio. As medidas foram tomadas após solicitação do Sindicato, diante do acidente recente com o colega Pedro Marcelo, no turno da noite.

A TAP ME disse que emitiu a CAT, está investigando o acidente e atendeu o caso com a maior rapidez possível. Contudo, o colega teve que esperar dois dias por um especialista e a demora prejudicou o tratamento da sua lesão na mão. O aeroviário teve parte da ponta dos dedos amputada e segue preocupado que os colegas sofram acidente semelhante, já que o equipamento está em uso apesar de não terem sido concluídas as investigações.

 

PERICULOSIDADE – Em reunião entre a direção do Sindicato e da TAP ME, a empresa questionou o número de ações judiciais ingressadas para a obtenção do adicional de periculosidade para os aeroviários da base de Porto Alegre.

A empresa entende que o foco deveria ser reduzir os riscos à saúde, a fim de evitar a necessidade do pagamento do adicional.

O Sindicato concorda que o melhor cenário é sempre o que garante maior proteção à saúde do trabalhador, mas todo funcionário que estiver em situação de periculosidade tem o direito de receber o adicional de 30% sobre o salário e não deve abrir mão disso.

Certos locais de trabalho, nunca deixarão de ser perículosos, independente de qualquer investimento ou melhorias no ambiente, ressalta o Sindicato.

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