EDITORIAL: Crise da TAP ME não é o fim do aeroviário gaúcho

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Em setembro de 2017, a TAP ME começou a demitir. Foram mais de 100 aeroviários demitidos com a justificava de corte de gastos, trabalhadores deixavam a empresa quase que diariamente. O Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre partiu então para o enfrentamento, denunciou as práticas da empresa para o Ministério Público do Trabalho, denunciou o não cumprimento da cláusula 41 da Convenção Coletiva de Trabalho aeroviária (item que fala sobre demissão em massa), além de tratar o assunto em seus boletins informativos, site e mídias sociais. Nas reuniões com a diretoria da empresa, a entidade se manteve questionando as demissões, apontando irregularidades no processo demissional e denunciando que muitos dos que estavam deixando a empresa fariam imensa falta.

A TAP ME demitiu trabalhadores na justificativa de equilibrar suas finanças, mas o que se viu foi a perda do maior patrimônio da empresa, a mão de obra qualificada e reconhecida mundialmente. Logo começaram a aparecer casos em que, em dado setor, todos que sabiam fazer uma certa função já não estavam mais na empresa.

O Sindicato apontou a discrepância em algumas demissões, a falta de critério em demitir um jovem aeroviário enquanto um já aposentado trabalhador desejava deixar a empresa, até que, após reuniões, a empresa concordou então em demitir os trabalhadores que não queriam mais ficar, aposentados ou próximos da aposentadoria.

Mesmo assim, aqueles que foram e ainda seriam mandados embora contra sua vontade mereciam uma segurança, mereciam algum tipo de suporte. Então surgiu a proposta de formular um acordo que amparasse o trabalhador até que uma nova posição no mercado de trabalho fosse encontrada. Quatro salários, cinco anos de plano de saúde para a família inteira e cinco anos de passagens aéreas da TAP são os itens que do acordo que garante benefícios para o trabalhador que deixa a empresa, além do pagamento das verbas rescisórias.

Neste mês de agosto, quase um ano após o início das demissões em Porto Alegre, a empresa anunciou que tem interesse em vender suas bases no Brasil, e que, caso não tenha sucesso nessa venda, fechará tanto a base em Porto Alegre quanto no rio de Janeiro.

O Sindicato tem muita experiência quando o assunto é fechamento de empresas. Ainda hoje, temos cerca de 5 mil trabalhadores que não receberam suas verbas de direito da Varig e Vasp, quanto mais um acordo como foi fechado com a TAP ME. Assim como a entidade tem experiência com o fim de algumas empresas, também tem o conhecimento necessário para saber que Porto Alegre não será colocada de lado como centro de manutenção de aeronaves.

A cidade possui escolas de manutenção, possui mão de obra qualificada de sobra e ainda tem nas áreas do Salgado Filho os hangares que somam mais de 80 anos de história e tradição. As grandes companhias fabricantes de aviação no mundo preveem um grande crescimento do mercado do setor para os próximos 20 anos. A aviação não diminui de tamanho.

O Sindicato segue junto dos trabalhadores, e assim sempre seguirá, continuando a luta em defesa de melhores condições de trabalho, na luta pela ampliação dos direitos trabalhistas e também garantindo segurança para os aeroviários. A aviação em Porto Alegre ainda terá muito mais história para contar.

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