EDITORIAL: Aeroporto precisa de estrutura para além dos passageiros

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O Aeroporto Internacional Salgado Filho possui problemas que se arrastam através dos anos. Somente no ano de 2016, duas pessoas perderam a vida devido aos dois principais motivos de perigo nos terminais: ausência de segurança nos arredores do aeroporto e a falta de um ambiente com condições asseguradas de trabalho.

A falta de policiamento e de monitoramento das câmeras de segurança permitiu que a trabalhadora Minéia Machado, 39 anos, fosse sequestrada e assassinada quando pegava seu carro estacionado próximo aos terminais. Já a falhas na Saúde e Segurança do Trabalho causaram a morte de Adriano Luiz Schuch, 34 anos, vítima de um atropelamento na pista do Aeroporto. Ambos os casos foram investigados e deixaram na categoria aeroviária e em todos os trabalhadores dos terminais o sentimento de que poderiam ter sido evitados.

De lá para cá, mais de um ano depois, pouco ou nada mudou nos terminais. Saiu a Infraero e entrou a nova gestora vencedora da licitação pública, a Fraport. Placas foram mudadas no interior do Aeroporto, pinturas foram realizadas, obras de expansão foram iniciadas, mas nada com relação ao trabalhador foi efetivado.

Devido aos altos preços dos estacionamentos, quem trabalha no local ainda precisa recorrer às áreas do entorno da região para deixar o seu carro ou sua moto. Mesmo os que terminam o expediente já no começo da madrugada, onde o bairro em que está localizado o Salgado Filho é mais perigoso, são forçados a correr o risco de estacionar sem segurança.

A situação operacional também está em dificuldades. Em janeiro, um trabalhador terceirizado foi atingido por um raio enquanto trabalhava em um avião, situação essa de tempestade, o que impossibilita o trabalho na pista do Aeroporto de acordo com as regulamentações do setor.

Somam-se ainda casos de falta de estrutura básica como banheiros limpos e abastecidos de suprimentos como papel e sabonete, refeitório e chuveiro lava-olhos para o caso de emergências.

Desde a gestão da Infraero, o Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre solicita todas as demandas trazidas neste editorial. Porém, já com a proximidade da data em que o comando seria repassado para a Infraero, os antigos responsáveis alegavam que nada poderia ser feito. Agora com a Fraport, muitos trabalhadores alegam que a situação piorou. Foram cortadas áreas de estacionamento, a qualidade do ambiente de uso dos trabalhadores está decaindo e nada sobre melhoras pode ser visto no horizonte.

A reunião marcada para o dia 2 de maio colocará novamente os diretores do Sindicato em frente aos responsáveis pela Fraport. Mais uma vez, o Sindicato levará a palavra da sua categoria e suas demandas. Cabe saber se a Fraport irá aplicar o seu padrão mundial de qualidade de gestão ou relegará a Porto Alegre o sucateamento das concessões públicas brasileiras.

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